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Dinheiro ou propósito: o que retém jovens talentos nas empresas?

Torne seu negócio atrativo para as novas gerações com as dicas de Flavio Valiati, fundador do Vamos Subir e palestrante do We Are Omie

Propostas de estabilidade no emprego e salário compatível com o mercado já não são suficientes para atrair jovens talentos. Eles querem variedade de experiências, oportunidades de desenvolvimento e crescimento rápido na carreira. “Saber gerenciar as expectativas da nova geração é fundamental para retê-la e aproveitar todo o seu potencial de realização nas empresas”, afirma Flavio Valiati, fundador do Vamos Subir (projeto de aceleração profissional de jovens) e executivo de vendas da Zendesk (desenvolvedora de software de customer experience). Ele subirá ao palco do We Are Omie – evento organizado pela fintech Omie no dia 8 de agosto em São Paulo – para participar da trilha ‘Marketing e vendas de resultados’.

Com novos valores e mais sensível a causas sociais, a geração que agora chega ao mercado se destaca pelo imediatismo, busca de propósito e satisfação no trabalho e senso de pertencimento. “Para mantê-los, o empreendedor precisa dar espaço para que cresçam, sem podar seu potencial e capacidade de execução”, afirma Valiati. Segundo ele, experiências que vão ao encontro de seus objetivos e valores podem se tornar mais relevantes até mesmo que a ascensão na hierarquia.

A ansiedade dos jovens, no entanto, demanda especial atenção por parte do gestor. “Eles acham que já estão prontos para toda e qualquer situação. Mas, na prática, ainda precisam de líderes que os inspirem e guiem”, diz o fundador do Vamos Subir. Confira a seguir as dicas de Valiati para contratar jovens talentos:

- Valorize a convivência de gerações
Ajude os colaboradores mais antigos a compreender que a união de forças com a nova geração é o impulso que falta para a empresa inovar e crescer ainda mais. “Incentive-os a se envolver nesse propósito e se reinventar”, diz Valiati. Fomente também a cultura do intercâmbio de conhecimentos. “Independente da fase de vida e maturidade profissional, todos têm sua própria história, saberes e coisas importantes para aprender e ensinar.”

- Alicerce o crescimento
Garanta espaço para que os jovens construam novas soluções ao mesmo tempo em que passam por sessões de coach e mentoria. Pode ser com o dono do negócio, o gerente da área ou simplesmente um profissional mais experiente que os ajude a ser desenvolver.

- Defina um plano de carreira
Estabeleça metas e indicadores de resultados para gerenciar melhor as expectativas dos mais jovens em relação ao aprendizado e crescimento na empresa. “Os critérios não devem se resumir a números, mas considerar postura, maturidade, relacionamento com pares e superiores, desenvolvimento de novas competências e habilidades, entre outros”, diz o fundador do Vamos Subir. Quanto mais clareza nos parâmetros, mais rápido os profissionais da nova geração tendem a se desenvolver.

- Recompense os resultados
Atrele o atingimento de metas a um programa de reconhecimento, que não necessariamente tem que ser financeiro. “A recompensa pode vir em forma de autonomia para tomar decisões, mais responsabilidade – por exemplo, para liderar um time –, novas oportunidades de aprendizado ou ainda experiências que os aproximem de seus objetivos e valores”, afirma Valiati.

- Preze pela transparência
O que mais desmotiva os jovens nas empresas é a falta de oportunidade ou clareza. “Muitos saem porque acham que nunca serão promovidos”, diz Valiati. A causa, que contém uma boa dose de insegurança, revela também outra característica da nova geração. “Eles querem ter total controle sobre os passos que darão.”

Comportamento e atitude são diferenciais
Com o projeto Vamos Subir, fundado em 2015, Valiati já impactou mais de 100 mil jovens em início de carreira. O objetivo é capacitar a nova geração para acelerar sua entrada e ascensão no mercado de trabalho. “Nosso foco está no desenvolvimento de atitudes e comportamentos, que podem chegar a valer mais que conhecimento técnico”, diz o fundador.
Com o suporte de dez voluntários e mais de 100 empresas parceiras, a iniciativa oferece lives, webinars, seminários e workshops sobre competências específicas para as áreas de vendas, marketing, atendimento ao cliente e tecnologia. Entre os palestrantes, estão executivos de marcas como Google, Sales Force, McDonald’s, Zendesk, Oracle e Omie, entre outras. Para participar das ações presenciais, basta doar um quilo de alimento não perecível.

A programação mais esperada, no entanto, é a semana de imersão. Nela, os jovens estudam conceitos, processos e tecnologias para construir casos reais de solução de problemas e apresentam às empresas convidadas. É nessa ocasião também que muitos acabam sendo contratados. “Em fevereiro deste ano, em um evento feito na Omie, mais de 50% foram selecionados”, diz Valiati. Segundo ele, uma boa parte retorna ao projeto de forma voluntária para ajudar outros participantes.

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