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Como valorizar os pequenos negócios em tempos de coronavírus

Campanhas nas redes sociais têm estimulado apoio a empresas locais neste momento. Saiba como colaborar

Junto com as preocupações com a saúde, a pandemia do novo coronavírus trouxe um momento de grande incerteza para os negócios. Os profissionais autônomos e as pequenas empresas são as mais afetadas – e muitas ainda estão buscando entender como se manter com a loja fechada ou sem poder prestar seus serviços.

Diante do momento difícil, um movimento de acolhimento se forma. Consumidores e empreendedores têm se unido em campanhas nas redes sociais que estimulam o apoio aos pequenos negócios. Abaixo, listamos algumas formas de colocar essa ação em prática.

Compre das empresas locais

Uma das principais maneiras de fomentar o empreendedorismo é adicionar (e principalmente manter) os itens de produtores ou lojas locais na lista de compras. Mesmo com o fechamento das unidades, muitos continuam atendendo a pedidos por delivery ou para retirada. “Vale lembrar desses locais não só para pedir comida no almoço ou jantar. Muitas doceiras e boleiras, por exemplo, continuam recebendo encomendas de casa”, diz o consultor do Sebrae-SP Alexandre Robazza.

A artesã Gabriela Cruz trabalha com oficinas de tricô e crochê e vende itens pela internet (Foto: Reprodução)

O mesmo vale para outros produtos, como roupas e itens de decoração. A artesã Gabriela Cruz, por exemplo, oferece oficinas de bordado e crochê e vende artigos pelo e-commerce Aquela Magrela. Diante do cenário dos últimos dias, fez um apelo em suas redes para que as pessoas apoiem empreendedores – seja comprando ou ajudando na divulgação. “Eu espero que esse movimento tenha um impacto, porque muitas pessoas não entendem essa importância”, diz ela.

Não cancele, adie
Mesmo antes do fechamento do comércio, empresas do setor de turismo e da área de eventos já sentiam os impactos da pandemia. Um dos modos de ajudar é optar pela remarcação de reservas, pacotes e eventos agendados em vez do seu cancelamento. Assim, não se prejudica mais o fluxo de caixa em um momento já delicado.

A empreendedora Jornada Mendonça, dona do bufê Pimenta Rosa, no Rio, foi uma que pôde contar com a compreensão da maior parte dos clientes. Dos 11 eventos programados para os próximos meses, só um foi cancelado. “A maioria optou por postergar para novembro ou dezembro”, diz.

Postagem nas redes sociais do buffet Pimenta Rosa pede que clientes não cancelem seus eventos (Foto: Reprodução)

Ela ressalta que o movimento é bom não só para os negócios, mas para os próprios consumidores, em especial os noivos. “Não trabalhamos só com um serviço. Nós realizamos sonhos. Um cancelamento pode ser muito frustrante, por isso é importante nos posicionarmos dessa forma.”

Compre pensando no futuro
Assim como Jornana, muitas empresas continuam aceitando reservas para o fim do ano ou até para 2021 para se manter em movimento. No caso dos setores de varejo e serviços, é possível adquirir vale-compras agora para usar depois, por exemplo. “O grande fundamento é não permitir que o dinheiro pare de circular. Mesmo que não vá consumir agora, vale comprar agora”, destaca Robazza.

Ele lembra que é importante pensar nos empreendedores de quem você costuma contratar serviços com frequência, como manicures e esteticistas. “Vale continuar fazendo os depósitos que você faria para que ela tenha fluxo de caixa agora e você possa usufruir depois.”

Uma das formas de apoiar profissionais e empresas é pagar por serviços para usufruir depois (Foto: ThinkStock)

Aproveite o que a internet oferece
Além de consumir pelas lojas que já atuam no e-commerce, é interessante ficar de olho nas iniciativas de empresas que estão apostando na internet como forma de diversificar. A artesã Gabriela, por exemplo, pensa em apostar no formato digital para manter suas oficinas até que elas possam voltar a ser presenciais. Nesta semana, ela realizou uma delas por transmissão ao vivo no Instagram.

O intuito inicial foi oferecer uma atividade de relaxamento em meio ao contexto de estresse vivido hoje. Mas acabou sendo também um modo de testar o formato de vídeo e a recepção dos seguidores. “Como não sabemos por quanto tempo a situação continuará assim, tenho visto muita gente fazendo isso.”

Morando em Madri, na Espanha, o músico Pitu foi outro que recorreu ao formato: agendou um show online e reuniu cerca de 200 pessoas. “Durante a apresentação, tinha gente na piscina, fazendo o jantar ou deitado de meias na cama. Todo mundo gostou muito da experiência”, disse ele anteriormente a PEGN.

Show virtual do brasileiro Pitu reuniu cerca de 200 pessoas (Foto: Arquivo Pessoal)

Segundo Robazza, do Sebrae-SP, a tendência para as próximas semanas ou meses é essa. “Muitos estão fazendo transmissões ou eventos online de graça, mas em algum momento vão ter que começar a cobrar. As pessoas podem consumir esses novos formatos”, diz.

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